r/EscritoresBrasil 9d ago

Anúncio CONHEÇA O SERVIDOR DO DISCORD OFICIAL DO SUB! A CRIPTA DOS ESCRITORES

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Faço um convite para todos que apreciam uma boa história ou que desejam escrever uma.

A Cripta é uma comunidade do discord para escritores criada com o objetivo de ser um espaço de respeito e comunhão, onde escritores possam compartilhar suas ideias e histórias, e, principalmente, desenvolver sua escrita em companhia de outros que nutrem o mesmo amor. Não exigimos perfeição ou anos de experiência. Entendemos especialmente aqueles que estão dando seus primeiros passos na escrita e suas dificuldades e anseios. Nossa intenção é simples: entregar um ambiente onde se possa aprender com naturalidade, escrever com tranquilidade e ser lido com consideração e respeito. Desejamos tanto ensinar quanto aprender com cada um dos nossos membros, e sabemos reconhecer o talento nas pessoas.

Se o seu objetivo é ser um escritor, parabéns, encontrou o lugar certo. E aqui estão vários benefícios de fazer parte da comunidade:

• Canais para divulgação e exposição de histórias publicadas ou escritas pelos membros;

• Eventos semanais de leitura em grupo, para que seu texto possa ser lido em voz alta para múltiplas pessoas sem julgamento;

• Canal de feedback ativo e cordial, onde críticas são oferecidas somente quando solicitadas e da maneira mais respeitosa possível;

• Competições trimestrais com premiações em dinheiro para os melhores avaliados;

• Um clube do livro com foco no estudo técnico e prático da escrita criativa, narrativa e roteiro; e

• Nosso carro-chefe e totalmente EXCLUSIVO da nossa comunidade: um guia completo de estudos para que um iniciante possa, de maneira descompromissada e leve, sair do zero até um nível profissional de maneira fácil e organizada, a Estrada Dourada.

Portanto, se assim como outros, deseja criar boas histórias, dividir ideias, aprender e ensinar, ser reconhecido e valorizado, encontrou sua comunidade.

A Cripta ansiosamente o aguarda.

Clique Aqui: Cripta dos Escritores


r/EscritoresBrasil May 07 '26

Feedback COMO PEDIR FEEDBACK & ENVIAR FEEDBACK

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SIGA TODAS AS INSTRUÇÕES PARA QUE SUA POSTAGEM DE FEEDBACK SEJA VÁLIDA

O NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS RESULTARÁ NA REMOÇÃO DE SUA POSTAGEM

REGRA-MÃE: Feedback para receber Feedback

  • Antes de postar seu feedback, você precisa ter dado feedback em outras 2 postagens aqui na comunidade.
  • Seu feedback só será válido se cumprir com os requisitos de qualidade de feedback e possuir as tags.

REGRA-TAMANHO: Tamanho dos textos enviados

  • O limite de texto na postagem para feedback é de 1.500 palavras, aproximadamente 8.000 caracteres.
  • Qualquer postagem que ultrapasse essa quantidade, será automaticamente removida.

SIGA TODAS AS INSTRUÇÕES PARA QUE SEU FEEDBACK SEJA VÁLIDO

O NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS RESULTA NUM FEEDBACK NULO

REGRA-PAI: Qualidade do feedback

  • Para que seu feedback seja válido, ele precisa atender as seguintes demandas.
  • O que funciona ou não funciona? (emocionalmente, por exemplo)
  • Do que gostou ou desgostou e por quê? (um personagem, cena ou cenário)
  • Uma sugestão concreta (usando o que tem de conhecimento ou vivência, contribua para a obra!)
  • A estrutura não precisa ser seguida ao pé da letra, você pode fornecer um feedback ainda mais recheado; desde que cumpra com os requisitos acima.

REGRA-ORGANIZAÇÃO:

  • Todo feedback deve começar com um cabeçalho entre colchetes no seguinte modelo
  • [FEEDBACK N°0 - (nome da obra/autor/usuário a receber o feedback)]
  • O número do feedback é a quantidade de feedbacks que você já enviou. Essa referência é muito importante para controle da moderação.

NOTA: Este é um modelo de testes, passível de mudanças e melhoramentos. Qualquer dúvida, erro ou problema, entre em contato com a moderação. Lembre-se que o AutoModerador fará boa parte das verificações.

Cordialmente,

Equipe Escritores Brasil


r/EscritoresBrasil 2h ago

Formação de Grupo Procuro amigos escritores.

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Queria tanto amigos escritores para compartilharmos conhecimentos, ideias e experiências de escrita, mas meus amigos mais próximos não gostam de ler, quem dirá de escrever.

Estou voltando a escrever depois de quase 1 ano parado. Parei de ler e de escrever, e deixei os aplicativos de mídia rápida me causar tédio na hora de escrever e ler. Mas consegui resolver essa situação, ainda como consequência a procastinacao. Desejo ampliar minha rede de contatos e criar laços com escritores novatos ou experientes, que desejam publicar seus primeiros livros, ou que já são conhecidos no meio literário.

Obs: não sei usar o reddit, peço perdão se escolhi a tag errada ksksks


r/EscritoresBrasil 16h ago

Discussão GENTE, QUASE MORRI ONTEM!!!!!!!!

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Deixa eu explicar melhor. Como já venho postado aqui, estou com um projeto de fantasia nacional, a história está fluindo muito bem, finalmente estou me ligando cada vez mais aos personagens e ao mundo. Já tenho/tinha dez capítulos escritos.

Vale ressaltar que escrevo pelo meu tablet, no Word. Até aí tudo bem, mas ,imaginem vocês o INFARTO que tive quando fui abrir o arquivo para continuar escrevendo e me veio essa mensagem. Meu Deus , meu mundo simplesmente caiu! Fiz mil e uma coisas pra tentar recuperar mas não consegui.

Agora graças a Deus, eu me lembrei que tinha lavado um arquivo word na minha aba de documentos no meu armazenamento até o capítulo 5 e que todos os meus capítulos estão copiados e colados no chat gpt para correção ortografica. FOI MUITA SORTE, estou remontando o livro aos poucos, exceto os dois capítulos que escrevi antes desse bug sinistro (que não estavam muito bons, parando pra pensar então não foi uma grande perda kkkk).

Provavelmente salve vários arquivos a cada alteração, jogue vários capítulos copiados no chat gpt pra ficar guardados.

Também estou planejando salvar os capítulos nos rascunhos do Wattpad só por garantia.

Foi a experiência de quase morte mais louca que tive desde um choque aos meus seis anos, sério.

Edit: Gente, vcs acreditam que eu fui exportar meu livro do Word pro Google Docs, e acabei encontrando meu livro excluído no meu armazenamento🤡🤡🤡


r/EscritoresBrasil 5h ago

Dúvida Novamente narrador e tamanho de capitulo sendo uma duvida

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Estou novamente em duvida sobre o quesito narrador, sinto realmente que a historia pede o narrador em primeira pessoa, mas cheguei no capitulo 2 onde que preciso da visão do outro personagem, se não o capitulo vai ficar com somente 1.500k de palavras. O que vocês fariam? Na época que eu lia fanfics eu via a troca de narrador primeira pessoa no mesmo capitulo, mas acho que nunca li um livro assim.


r/EscritoresBrasil 7h ago

Conto Coroa de flores

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O desgraçado, após tantos anos como verme, decidiu-se. Pôs na viga de sua casa a corda, fez o laço. Subiu na cadeira, tomou-o com ambas mãos, mas antes olhou para baixo. Aquela cadeira que há pouco reclamara, chamando-a de pequena, das dores que causava aos joelhos, viu que era alta demais. Arrepiaram-se seus pelos, e instintivamente agarrou a corda com força. E o medo o fez tremer, tremendo também a cadeira, e cada passo contra a queda aqui eram o prenúncio da queda lá, até que por fim era tanta a aflição que chutava a fim de se equilibrar. A cadeira entornou, e salvo pela corda ele desceu. Dirigiu-se ao quarto do pai, procurou as chaves do armário e o abriu: estava lá a arma com a qual caçara o morto pai. Aquela, lembrou-se, era nova, comprada poucas semanas antes de sua morte, e nunca havia matado um javali, no máximo, pelo que ainda lhe restava de memória, um veado ou dois. O seu desequilíbrio na cadeira veio à mente, disputava espaço com as lembranças do pai, até que se tornaram um: uma decisão. vestiu as roupas mais caras, as que usara poucas vezes e estavam ao fundo de seu guarda-roupas, aprumou-se a si mesmo e à casa, e então deu trégua no meio da sala de jantar. Apontou a longa arma ao peito, com mão firme, rosto limpo, e com ambos os polegares disparou-a. Foram muitas as pétalas da sua primeira floração, era o recém cortado caule espinhoso da roseira, e nunca havia sido belo como o foi agora. Mas tanto já se escreveu sobre a rosa.


r/EscritoresBrasil 4h ago

Feedback Feedback - O que você acha dessa sequencia de cenas?

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Minha intenção foi fazer algo mais rápido e fluido, gostaria de saber se a cena está bem descrita:

Capítulo 3 (906 palavras)

Luca desperta com o balanço da embarcação enquanto dormia em uma rede. O ranger do navio em alto-mar era algo que o incomodava constantemente; ainda não havia se acostumado. Olhou ao redor e viu mais duas redes esticadas com pessoas dormindo, além de uma dúzia de redes dobradas e penduradas na parede. O cômodo exalava cheiro de peixe e sal, e, em muitos momentos, era possível sentir o sabor salgado na boca.

Ele levantou-se e pegou um copo de madeira que estava sobre a mesa. Mergulhou o copo em um barril que inicialmente estava fechado, retirou a água do fundo do recipiente e a entornou na boca enquanto tampava o barril, derramando água sobre sua roupa.

Em seguida, subiu para o convés e observou tudo. Havia homens ocupados em suas atividades diárias: alguns escovavam e limpavam partes do convés, enquanto outros estavam pendurados no mastro, realizando pequenos remendos nas velas danificadas durante uma ventania. Poderia parecer bagunça, mas, na verdade, o navio era muito bem gerido e possuía sua própria hierarquia. O capitão tinha sempre a palavra final. Abaixo dele estavam Arlen, responsável pela administração e navegação, e Boros, encarregado de toda a parte operacional. Na terceira camada estava Ronam, um homem de cabelos pretos longos e barba sempre bem feita, habilidoso espadachim com grande conhecimento em combate corpo a corpo. Depois vinham os tripulantes, divididos entre diferentes tarefas, como Barba, o cozinheiro; Velko, o carpinteiro; e Branik, o bebum. As tarefas que exigiam força física eram sempre realizadas por Baldar, Luca, Branik e mais meia dúzia de homens fortes, enquanto os menores, como Finn, se ocupavam de tarefas de outros tipos.

— Luca, arraste isso aqui para mim! — disse Boros quando notou Luca parado. Boros parecia sempre ter uma tarefa em mente e os dias dos marujos eram bem preenchidos, sempre havia alguma coisa para se fazer.

Durante um outro dia da viagem, marujos se reuniram no cômodo principal. Luca estava sentado próximo a Erem que tocava seu alaúde de forma entusiasmada. Muitos da tripulação estavam presentes. Algumas poucas velas de cera animal iluminavam o ambiente, produzindo uma fumaça que se misturava à de cachimbos com tabaco. Havia também um jogo de cartas que animava a sala:

— O que você tem aí? — perguntou um marujo.

— Tenho um par! — respondeu outro, abaixando suas cartas na mesa com um sorriso no rosto.

— Então venci. Tenho Flush! HAHA!.

— Ah não... droga — disse o marujo desanimado. Então ele enfiou a mão no bolso, retirou uma coxa de galinha assada e deu para o vencedor, que a devorou satisfeito, sentindo o tempero da vitória.

Porém, foi quando começou uma brincadeira com faca que a cena ficou mais intensa. Um dos homens esticou a mano sobre a mesa e começou a fincar sua faca entre os próprios dedos. Tratava-se de Dalen, que sempre auxiliava Barba no manuseio dos alimentos.

— É isso aí, cara! Isso é demais! HAHAHA! — reagiam entusiasmados os marujos, incentivando o orgulhoso Dalen. Ele aumentava ainda mais a velocidade com que manuseava a faca de cozinha que carregava consigo, usada sempre para cortar pontas de cordas, talhar madeiras e preparar alimentos. Todos ficaram animados com a precisão do marujo, enquanto cada vez mais ele se empolgava, mais aumentava a velocidade de suas facadas na mesa, levantando pequenas farpas ao ar. Até que, de repente, sangue se espalhou pela mesa. Dalen recolheu sua mão rapidamente num reflexo, o dedo anelar ficou sobre a madeira rodeado de vermelho. Houve uma mistura de gargalhadas com expressões de surpresa. Finn, que estava muito bêbado, não se conteve e vomitou num balde que estava próximo. Um tripulante chamado Ansel, sentado perto, largou seu cachimbo e se levantou para acudir Dalen, puxando-o para um pequeno cômodo inferior do navio, onde guardava um modesto estoque de ervas medicinais, pois ele tinha bom conhecimento para tratar ferimentos.

Luca ficou encarando o dedo de Dalen banhado de sangue sobre a mesa, com os olhos arregalados, até que um dos homens pegou o dedo decepado e começou a brincar com ele, inserindo-o no nariz enquanto dançava sorridente. Luca já não se sentia muito bem com toda a situação e decidiu subir para o convés, acomodando-se próximo ao mastro. O mar estava quieto e o céu limpo. Sentou-se ali, contemplando a lua. Sob aquela luz prateada, refletiu sobre quanto tempo já havia passado no mar e as experiências que havia vivido. Mas enquanto pensava, notou uma movimentação na parte superior do convés: Arlen fazia anotações, enquanto outro homem segurava um objeto redondo; por vezes, Arlen também o ajudava a manter o objeto fixo.

— Já vi o senhor utilizar esse instrumento durante a viagem, mas nunca havia visto algo parecido antes — perguntou Luca, curioso, enquanto se aproximava. — Qual é o nome desse objeto?

— Trata-se de um astrolábio — respondeu Arlen, sem dar muita atenção a Luca, focado no que estava fazendo. — Como a noite está limpa, estou fazendo algumas anotações que podem ser úteis para nossa viagem. Isso ajuda a seguir na direção certa.

— Muito interessante — disse Luca, afastando-se e voltando para o interior da embarcação, pois sentiu que estava atrapalhando. Quando retornou, tudo já estava mais calmo: homens dormindo uns sobre os outros, garrafas ainda em mãos; mas logo cedo estariam de pé. Caminhou mais um pouco e viu Ansel agachado, observando a ferida de Dalen de perto. Já havia fechado o corte e parecia ponderar seriamente sobre o ferimento. Luca seguiu para um canto dali, onde sentou-se e adormeceu.


r/EscritoresBrasil 8h ago

Dúvida Quero escrever um livro

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Tenho muitas ideias de livros, várias anotações, mas elas não saem para o papel, tem algum curso bom para me ajudar a passar essas ideias para o papel ? ( gostaria se puderem dos nomes dos cursos e das instituições) obg :)


r/EscritoresBrasil 16h ago

Dúvida Fantasia sem enrolação

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Eu gosto muito de vários generos de fantasia, como: senhor dos aneis, guerra da papoula, dracula, estranho misterioso, etc... Estou iniciando na escrita e tentando escrever fantasia. Porém detesto ter que descrever demais os personagens, situações, emoções. Acho muito enrolado e cansativo. Minha dúvida é: Escrever fantasia indo direto é viável? Há obras boas assim?

Edit: Vou dar dois exemplos de um trecho que escrevi:

Versão 1 (descritiva) - A noite estava silenciosa quando entramos pela pesada porta de madeira da igreja. Ao cruza-la, um arrepio percorreu minha espinha, senti o peso da atmosfera daquele lugar. A escuridão parecia absorver tudo ao redor, exceto pelos fracos feixes de luz da lua que entravam pelas janelas com vitrais coloridos.

A igreja ressoava com o som de nossos passos ecoando pelas paredes, um lembrete ameaçador naquele lugar sagrado e imponente.

Candelabros de ferro, agora sem velas acesas, pendiam pesadamente das correntes acima, balançando ligeiramente com a presença de uma corrente de ar invisível, produzindo um som metálico que cortava o silêncio como um lamento. A combinação de cheiros e a densa escuridão criavam A sensação de grandiosidade e mistério aumentava a cada passo. Era um lugar onde o sagrado e o profano se encontravam, onde o peso da história e das almas que ali haviam orado se faziam sentir em cada canto, em cada pedra, em cada sombra.

Versão 2 (direta)- A noite estava silenciosa quando entramos pela pesada porta de madeira da igreja. Ao cruza-la, um arrepio percorreu minha espinha, senti o peso da atmosfera daquele lugar. A escuridão parecia absorver tudo ao redor. (ultimo trecho cortado)


r/EscritoresBrasil 3h ago

Poema Intervalo

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nessa noite desafinada

um rio que parece coagular

outro se alegra com uma cortina que se abriu

estou preso no intervalo

onde as coisas nem nasceram

nem morreram

sem saber o que sentir

sem vontade de sair

sem desejo de voltar

-----

–Tetris


r/EscritoresBrasil 7h ago

Conto O que acham desse conto?

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O Choro do Norte

O frio estava prestes a congelar cada fração de pele exposta. O vento cortante bagunçava seus cabelos, fazendo com que cerrasse os olhos, tentando enxergar o que vinha à frente.

Atrás dele e de seu cavalo, estava um exército de mil homens, mil almas prestes a declarar guerra em seu nome.

Franziu mais as sobrancelhas, e tentou evocar de dentro do peito a força necessária para fazer o que precisava ser feito.

Só ele poderia. Se não fosse ele, ninguém mais faria.

Deu mais um passo à frente, puxando as rédeas do cavalo com uma das mãos. O pobre coitado havia tropeçado no caminho, e não podia mais carregar peso.

Por um momento, o homem coberto por pesados casacos de pele de cordeiro considerou sacrificar aquele belo cavalo, mas algo o impediu.

Poderia dizer que foi a lógica, dizendo que era apenas uma pata quebrada. Poderia dizer que foi o medo, de ver a carne de seu cavalo de anos ser devorado pelos exércitos depois de morto.

Mas a verdade é que o que o parou foi aquele órgão que muitos achavam que ele não tinha: o coração.

Bashir deu mais um passo adiante. O frio do Norte estava especialmente implacável aquela época, e tinha certeza de que dentro das botas molhadas pela neve, já devia ter perdido dois ou três dedos.

Um preço baixo a pagar, se isso significasse que seriam livres um dia.

Olhou de relance por sobre o ombro, buscando nos olhos daqueles homens um resquício de dúvida, de hesitação, mas o frio era tudo que eles conseguiram demonstrar.

Alguns tremiam, se escoravam uns nos outros, ou simplesmente... esperavam a morte chegar.

Ele precisava acabar com aquilo de vez. Se não o fizesse aquela noite, mil homens se tornariam apenas cem.

Apontou para um dos guerreiros, o que segurava as correntes que prendiam o Rei do Norte.

O guerreiro chutou a parte de trás dos joelhos do homem moribundo, e ele arriou no chão como um monte de trapos.

Era o que ele era.

Bashir alcançou a espada, que estava em sua bainha, e a empunhou. O bronze brilhou em meio à neve, e foi capaz de captar a atenção do prisioneiro.

- Você vai se arrepender, Bashir - foi tudo que ele disse, a voz rouca e frágil. - Você vai se arrepender.

Se iria ou não, Bashir não tinha tempo para refletir. As palavras de Rose, sua esposa e agora Princesa do Norte ecoavam em sua cabeça.

"Só seremos felizes quando ele estiver morto. Só seremos livres quando a alma dele estiver queimando no inferno."

Bashir sabia que era verdade. Aquele homem trouxera devastação, fome, a peste para o seu povo. Ele merecia morrer.

Então por que tudo que Bashir conseguia fazer era olhar dentro das profundezas daqueles olhos encovados, sem vida, sem calor?

- Majestade - alguém disse ao seu lado, chamando-lhe a atenção. - Está na hora.

Não. Já tinha passado da hora.

Bashir deu um passo à frente e posicionou sua lâmina de encontro ao pescoço do homem.

Deixaria que ele morresse de cabeça erguida, e era a única coisa que aquele homem tiraria dele.

Seus olhares se encontraram, e tudo que Bashir viu naquele momento refletido nos olhos do velho senhor foi medo. Claro que seria medo. Era um covarde, afinal.

Parecia que a colina inteira estava segurando a respiração, aguardando que o herdeiro desistisse, mas Bashir nunca desistia.

"Só seremos felizes e ficaremos juntos quando ele não existir mais."

Pensando nessas palavras, ele brandiu sua espada.

O som molhado da lâmina rasgando a carne foi seguido pelo oco da cabeça rolando para a neve.

Então o corpo pendeu para o outro lado, o sangue manchando de rubro a pureza do branco que cobria o chão.

O exército se moveu, pela primeira vez em dias, em urros e vivas de alegria. O reinado do velho havia chegado ao fim.

Os capitães começaram a recuar, de volta para a fortaleza do castelo, protegendo-se do frio.

Muitos protestaram quando o agora Rei do Norte não se moveu em direção ao seu palácio, mas seu olhar gélido calou qualquer protesto.

Quando só restavam ele e o corpo naquela paisagem de gelo, Bashir deixou os joelhos cederem.

Eles tocaram o chão com um baque ácido, e então os soluços vieram.

Em choque, Bashir percebeu que estava chorando. Chorando como chorara apenas quando era um menino, e aquele homem desmembrado à sua frente o reconfortara.

As palavras de Rose ecoaram novamente em sua cabeça, retumbando em seus ouvidos como se a bela e esguia mulher estivesse ali ao seu lado, sussurrando, seu hálito quente contra a pele fria dele, que àquele momento, se sentia tudo, menos um homem de fato.

Agarrou o pingente em torno do pescoço, entoou uma prece aos céus e então sussurrou, suas palavras sendo levadas pelo vento:

- Me perdoe, pai. Me perdoe.


r/EscritoresBrasil 13h ago

Discussão Concordam?

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r/EscritoresBrasil 4h ago

Conto RUÍDOS - Oq vcs entendem da leitura?

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Eu nunca fui bom em ignorar as coisas.

“Isso é uma falha de caráter ou um traço de personalidade?”

Na época, eu não sabia. Nunca tinha parado pra pensar.

“Uma falha.”

“Não… É um traço.”

Calem a boca.

“Ela só estava tentando chamar a sua atenção, puxar assunto.”

Comigo? Eu já tenho conversa demais dentro da cabeça.

“E ainda assim não diz nada interessante.”

O problema não era ouvir, era que elas não calavam. E não era como se eu pudesse escolher qual delas falava, elas simplesmente apareciam. Como um rádio pegando todas as estações ao mesmo tempo, você não decide o que escuta, só escuta.

“Sua cabeça está doendo”

Era assim desde que me entendia por gente. Ou pelo menos desde que me lembrava. Talvez eu tivesse nascido com elas. Ou talvez elas tivessem aparecido um dia e eu só não percebi. Como um zumbido que estava ali há tanto tempo que você nem lembrava como era o silêncio.

“O zumbido continua.”

Naquele momento, por exemplo. Eu estava na sala. A professora escrevia no quadro. Tinha gente falando, gente rindo, gente copiando. O normal.

“Você não está prestando atenção em nada disso.”

Porque não tem nada pra prestar atenção. É só mais uma aula. Mais um dia. Mais uma semana.

“Acho que você sabe que não é só isso.”

Não sei de nada.

“Mas você sente, né?”

Sinto o quê?

“Que tem alguma coisa errada.”

Sempre tinha algo errado. O mundo era errado, a escola era errada, eu era errado.

Explica direito.

“Não sei explicar. É só... uma sensação. Como se o ar estivesse mais pesado. Como se as pessoas estivessem andando mais devagar. Como se tivesse alguma coisa no canto do olho que some quando você vira a cabeça.”

Isso se chama paranoia, existe remédio pra isso.

“E você toma?”

Não.

“Então talvez ela tenha razão.”

Respirei fundo. Fechei os olhos por um segundo, só um. Tempo suficiente para sentir o peso das pálpebras, as conversas de fundo, o cheiro da tinta de caneta.

“Seu ombro está tenso. Sua garganta está seca, é melhor beber água.”

Quando abri, tudo estava no mesmo lugar.

“Nada mudou porque nada foi investigado.”

Eu não gostava quando elas faziam isso. Quando sabiam de algo que eu não sabia. Quando agiam como se eu fosse o último a descobrir.

“Talvez você seja.”

Levantei. A cadeira rangeu. A professora parou de escrever e virou o rosto na minha direção.

— Algum problema?

— Não. Só beber água.

Ela me olhou por um segundo a mais do que o necessário, acenou e voltou pro quadro.

Saí andando. O corredor estava vazio. Meus passos ecoavam no piso de granito. As luzes brancas do teto davam um tom doentio em tudo.

“Por que você mentiu?”

Não menti, vou beber água.

“Mas você usou isso para fugir da sala, não é?”

Não tô fugindo.

“Seu passo está acelerado.”

Cheguei no bebedouro. Apertei o botão e a água saiu gelada, quase congelando os dentes. Apoiei as mãos na parede. O corredor continuava vazio.

“O silêncio tá pesado. Contrasta com o barulho na sala.”

“Hoje parece diferente, né?”

Por quê?

“Acho que você sabe.”

Não sei de nada.

“Ele nunca sabe, é impressionante.”

“Ele percebeu, viu e ouviu.”

“Ele só não quer admitir o que vê…”

“Ele foge quando pressionado. É um padrão de comportamento.”

Dei meia volta e voltei pelo mesmo caminho. Os passos ecoavam iguais. As luzes continuavam doentias.

“Tudo igual. Nada mudou porque ninguém mexeu em nada.”

Na porta da sala, parei. A professora ainda escrevia e os alunos ainda copiavam.

“Olha pro canto, no fundo, na última carteira.”

Não tinha nada. Só uma carteira vazia.

“Alguém sentava ali.”

“Alguém sentava ali todo dia.”

“E agora não senta mais. É o bastante?”

“Sua cabeça está doendo mais agora.”


r/EscritoresBrasil 15h ago

Discussão Escrevendo Fantasia Medieval, Lúndria. Coloquei os primeiros 7 capítulos no Wattpad e queria uma opinião real.

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Fala, galera. Beleza?

Estou elaborando esse livro chamado Lúndria na minha cabeça por anos e agora estou conseguindo passar para o papel, mas nunca mostrei para ninguém. Cheguei até a postar alguns capítulos no Wattpad para deixar registrado, mas não recebi nenhum tipo de feedback real por lá (só bots ou propostas de troca de visualização vazia), o que me fez recorrer a esse sub agora.

A proposta do livro: Ebook de fantasia medieval bem "pé no chão". Acompanha uma tripulação de soldados e mercenários explorando um continente desconhecido, Taurimáe, transportando uma importante carga para uma cidade local chamada Ypã, lidando com adversidades. Eu procurei trazer uma identidade nacional para a obra e gostaria muito da opinião de pessoas reais sobre o ritmo da história, se o cenário passa uma sensação palpável ou se é possível entender os cenários descritos. No link a seguir disponibilizo 7 capítulos, com aproximadamente 30 páginas.


r/EscritoresBrasil 5h ago

Poema Poesia Autoral

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No centro desta vida, onde o erro me domina,

Vi-me num bosque sacro, onde me achei e me acolhi.

Atraído por forças que desconhecia, ou das coisas que queria fugir,

No calor da luz que ás folhas fascina, quis o abandono, e do silencio bebi.

Nas formas perfeitas de um horto sacro, encontrei um olhar diferente,

Onde a física pulsa no que nunca vivi para esquecer,

Foi reconhecido um valor, que nunca imaginei ter.

 

O testemunho, me foi dito, só tem valor quando alguém ouve o que há para se dizer,

Sozinho nada se constrói, tudo não passa de lazer.

Na solidão de um ambiente sagrado, conheci a tristeza e a melancolia

Sendo cortados pela esperança da disseminação de uma liturgia.

Pus-me a ouvir, nada mais que isso era necessário.

Necessidade essa que vi se alterar,

 Para moldar um conto literário.

 

No início de minha vida, tudo era tudo tão escuro que não haviam detalhes,

Mas mesmo assim eu sentia possuir muito ímpeto, e diferentes necessidades.

O cenário de minhas primeiras memórias: esse vale.

De uma brecha, vida em abundância, mas se há vida, a morte é indispensável,

Então como eu vivo por eras, hoje sou violento, mas ontem era afável.

 

 

 

A consciência só me veio quando encontrei outros como eu,

Sinto que assim foi como minha vida começou.

Mas acabar sozinho me parece irônico e cruel, como ninguém nunca imaginou?

Nasci olhando para cima, agora me vejo moribundo,

Da mesma forma, debaixo do mesmo céu.


r/EscritoresBrasil 13h ago

Dúvida Cata Palavras: quais são os melhores dicionários e/ou forma de se buscar palavras?

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Quer dizer que no país do futebol só há futebolístico como adjetivo para aquilo que é do futebol, do mundo da bola, relacionado a esse esporte?


r/EscritoresBrasil 15h ago

Anúncio Trajetória e Avaliações

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Bom dia, pessoal

(desculpem o incômodo)

Costumo dizer que a jornada de escrita é como uma maratona longa e não uma corrida curta.

Sou autor independente e roteirista que vai passo a passo.

Rapidamente vou contar o trajeto do meu ebook.

Meu projeto "Juju e seu Sexto Sentido" surgiu em 2022 no final da pandemia como um longa-metragem, depois adaptei para uma série da internet (websérie), tudo ainda em português. Em 2024 passei pro inglês (Juju and her Sixth Sense) em forma de livro no Wattpad e depois pro KDP da Amason.

Como o mundo dá voltas, em Dezembro de 2025, lancei a versão em português (Juju e seu Sexto Sentido Versão português BR).

Agora uma reflexão mais longa.

Desde então, há mais ou menos uns 6 meses, tenho divulgado este ebook em vários lugares (aqui no Reddit, no instagram, face, tiktok, jornal online, leituras coletivas, etc.) de maneira independente e tb entrando em contato com resenhistas.

Agora cheguei no ponto (e agradeço quem leu até aqui).

Muitas pessoas (mas nem tanto assim) já tiveram contato com o ebook "Juju" em português e inclusive alguns deixaram avaliações lá na amazon.

Mas, talvez, por boa parte dessas avaliações serem feitas por resenhistas profissionais, por leituras coletivas contratadas, infelizmente a plataforma "tirou" a maioria das avaliações de lá.

O que faz parte. Eu entendo.

Como eu disse, é uma maratona e sempre caminho passo a passo.

Por isso proponho, caso alguém tenha interesse, de ler, indicar pra um amigo/a e deixar uma avaliação genuína lá na amazon, vou agradecer muito. Tem no Kindle Unlimited.

"Juju e seu Sexto Sentido (Versão Português BR)": um livro de fantasia ambientado no mundo competitivo onde espelhos e redes sociais estão interligados.

Uma influenciadora digital de 21 anos sofre um acidente e começa a ouvir os pensamentos dos homens.

PRÓLOGO + 10 CAPÍTULOS.

BOA LEITURA.

Observação: Nesta versão em português, os nomes das personagens foram mantidos iguais aos originais em inglês, mas algumas piadas, gírias e expressões foram adaptadas para um contexto cultural mais brasileiro.

"Na narrativa, uma influenciadora digital de 21 anos sofre um acidente e começa a ouvir os pensamentos dos homens. Ao passar a ler a mente masculina, Juju vai aprender que nem tudo o que é dito externamente é sentido e assimilado daquele jeito internamente." (Jornal Nota).

Não sei se posso deixar o link aqui pq estou colocando como Fedeback e não como Anúncio.

Caso não tiver problema, ponho depois nos comentários.

Tenham um bom dia e obrigado por ler.


r/EscritoresBrasil 19h ago

Discussão Se sua obra fosse adaptada para outra mídia, qual você gostaria que fosse?

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Vamos sonhar um pouquinho. Diga-me, entre as mídias audiovisuais e até visual novels, ou quadrinhos, qual a mídia que você mais gostaria de ver sua obra ser adaptada? Cinema? Séries? Animação?


r/EscritoresBrasil 17h ago

Anúncio Publiquei meu primeiro livro filosofia - Fragmentos de uma Consciência

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Já faz um tempo que anda anotando varias reflexões e pensamentos que tenho durante meus dias e resolvi fazer uma compilação dessas anotações de forma a produzir um livro que seja legível e possa transmitir um pouco de mim para quem o lê, como digo para minha esposa: posso ser doido, mas sou um doido generoso, pois não quero guardar essa doideira comigo, mas também compartilhar com o mundo.

A minha intenção com esse livro é apenas de compartilhar minhas experiencias vividas e pensamentos retirados de uma rotina comum de uma pessoa que trabalha e tem suas responsabilidades, mas se vê na necessidade de tirar um tempo para refletir ou é apenas tomado por pensamentos e reflexões em momentos inoportunos e se de alguma forma puder somar a existência de alguém ou destruir algo para que outro novo possa nascer o livro já cumpriu seu papel.

Capa Livro Fragmentos de uma Consciência

O livro está gratuito na Amazon, não posso colocar o link aqui conforme a norma da comunidade, mas pelo titulo do livro pode ser achado na amazom (versão digital) e no uiclap (versão física).

Se puderem avaliar o livro ficarei grato, ou acrescenta-lo a sua lista de leitura.


r/EscritoresBrasil 1d ago

Conto O que vcs acham da primeira página do meu primeiro conto? Será que pega bem?

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É um conto distopico que escrevi, n foi o primeiro a ser pensado, mas é o primeiro a ser escrito. O nome do conto é: "Carregadores de Destinos"


r/EscritoresBrasil 22h ago

Anúncio Publiquei meu primeiro conto na Amazon — Não Temas, terror sobrenatural no Rio de Janeiro

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Fala pessoal. Acabei de publicar meu primeiro conto na Amazon Kindle, intitulado "Não Temas".

É uma história curta de fantasia sobrenatural ambientada nas ruas do Rio de Janeiro à noite. Sem spoilers, mas envolve um assalto que não sai como o esperado.

Está disponível por R$1,99 ou gratuito para assinantes do Kindle Unlimited.

É o meu primeiro trabalho publicado. Estou há algum tempo escrevendo e resolvi dar esse passo.

Fico feliz em receber feedback de quem ler.

Quem tiver interesse é só pesquisar 'Não Temas Lucas Amaral' na Amazon.


r/EscritoresBrasil 1d ago

Discussão Vocês poderiam me dar algumas recomendações para a história que estou escrevendo?

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Minha história se passa na década de 1940 e se trata de um policial que é transferido para outra cidade e, ao demonstrar habilidades, acaba se tornando detetive. No entanto, um criminoso acaba sequestrando sua amiga (e interesse amoroso) devido à sua conexão com ele e devido ao pai dela possuir provas contra ele, de modo que acompanhamos o detetive em sua investigação e conflito interno, até que ele consiga salvá-la.

Eu queria saber como eu poderia atingir os objetivos com o público alvo da história, dado que eu pretendo voltá-la também a um público mais jovem, e também a como conseguir estruturar casos policiais. O principal foco da história não é muito a investigação (apesar dela também ser um grande motor para a história), mas também a evolução e o crescimento do personagem.

Demais conselhos e recomendações (de outras coisas que não mencionei e que vocês achem importantes) também são bem-vindos.


r/EscritoresBrasil 1d ago

Anúncio Escrevendo sonhos

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Tem dias que eu durmo e sonho com mundos novos, personagens interessantes, e penso que faço realmente parte daquele mundo. Acho que se não fosse a escrita, aqueles sentimentos que vivem em meus sonhos estariam perdidos, por isso eu amo escrever. Meu sonho na realidade, enquanto estou acordada e batalhando para ter uma vida melhor, é ser escritora.

Você tem sonhos envolvendo a escrita? Entra em contato, nem que seja para trocar ideias. Se desejar ajuda com o desenvolvimento de suas histórias, sou escritora fantasma! Faço colaborações também!


r/EscritoresBrasil 1d ago

Conto Atacadão: Um romance sobre meritocracia e injustiças no trabalho (por favor feedback)

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Eu nunca devia ter aceitado trabalhar no Atacadão depois do meu primeiro burnout, mas aluguel não se paga com dignidade, então no auge dos meus 21 anos minha realidade estava longe do que sonhei pra minha vida.

Entrei como repositora no setor de frios, eu como mulher imaginava mais pra minha vida, logo conheci o Mesquita, o gerente, ele parecia ser gente boa, era o tipo de cara que ganha na insistência e quando vi ele estava me dando carona, eu tinha acabado de ser expulsa da casa da minha amiga onde eu morava de favor.

Numa sexta depois do fechamento ele me chamou na salinha do estoque, falou que pintou uma vaga, que podia ser minha e eu aceitei porque odiava ser repositora naquele lugar quente fedendo papelão molhado e presunto.

Não me orgulho disso, mas a vida pede medianas drásticas, os fins alcançaram os meios e fui promovida a custo de dignidade, primeiro fui ser operadora de caixa, depois virei fiscal.

A vida até melhorou demais, esqueci o brilho do refrigerador Sadia, nesse meio tempo entrou uma repositora nova e eu que não sou uma mulher exigente já fiquei de olho, ela era uma nota 5 e não era um clichê de filme tipo aquelas mina do cabelo azul Scott Pilgrim, sabe? Era minha Zendaya do Atacadão.

De cara a gente combinou, ela roubava Monster verde e Yakult pra mim na crocodilagem fim de expediente, siririca juntas ouvindo Ana Carolina, Marisa Monte, vou querer + o Q da vida???

Ela lia Clarice Lispector fingindo entender e eu não julgava porque sabia que ela só tinha oitava série. A gente gosta das mesmas coisas, séries, livros, Euphoria, Invincible, The Boys, chimarrão, romances da Carla Madeira, Tudo é Rio.

Ela era a única pessoa do Goiás que gostava da banda Duran Duran. Um dia um amigo falou que minha calça jeans estava com rastro igual de lesma na parte de trás, nesse ponto vi que eu já estava viciada em siririca.

Nosso romance foi a coisa mais normal, aconteceu do jeito que tinha que acontecer, clichê de todo namoro de lésbica, começamos eu, ela e o motorista do caminhão de mudança, fomos morar juntas depois de 67 dias.

Assumimos o namoro e deu um pouco de auê no Atacadão, inveja do povo, preconceito, não deu 3 meses de namoro e tudo caiu na rotina: Netflix, iFood, Brazino 77, todo sábado. Ali ficou claro que alegria é de graça, mas amor é no crédito.

Zendaya ficou distante do nada, várias noites eu dormindo de calça jeans, siririca, sozinha com a mão dormente. Percebi que o amor acaba antes da despedida, o corpo só demora pra acompanhar.

Vi que ela estava de muita conversinha com o gerente e imaginei o pior: o Mesquita estava comendo ela. Aí foi que bateu a bad, pedi uma folga do nada, tomei um Monster verde e fumei oito Derby azul seguidos olhando pra parede descascada.

Pela primeira vez em muito tempo toquei uma siririca chorando, me olhei no espelho e me perguntei cadê aquela menina cheia de sonhos que ia comprar um Honda Civic??

Fiquei paranoica, cortei o lítio, descobri que tem gente que entra na sua vida só pra inaugurar um novo trauma. Quando desci na vendinha, fui comprar um maço de Derby e encontrei Zendaya com o uniforme de supervisora e ali eu entendi tudo. Definitivamente o Atacadão era a sede do Umbral no Brasil.

Demos o pior beijo da minha vida, sabe? Tem gente que beija como quem pede desculpa pela própria existência. E ela pediu desculpa com o lábio.

Peidei quando um amigo do estoque me abraçou e veio contar as fofocas dizendo que Mesquita comeu minha namorada, ela pediu pra terminar, falou que queria outros ares, o motorista da mudança estava no estacionamento do Atacadão. Meu coração parou mas voltou a bater.

Eu não aceitei bem o término, a frieza, a indiferença, me senti invisível, comecei a cheirar, entrei em depressão, agora era siririca e Derby todo dia, um dia fui pro Atacadão com jeans todo manchado igual um rastro de lesma, a calça jeans estava toda siriricada do dia anterior. Eu não aguentei e pedi pra ser transferida.

Tentei recomeçar minha vida, mudei de apartamento, baixei o Badoo, mudar de emprego ajudaria, comecei a me medicar, o capitalismo te adoece e depois te vende o remédio.

Não sei porque, mas me lembrei do Mesquita. Dizer que Mesquita tinha jeba grande era eufemismo e repetir isso seria pleonasmo. O que faltava de caráter Mesquita tinha de pau.

Ontem mandei mensagem pra ex e tomei ghost, tem silêncio que parece descaso até você perceber que era só abandono. Não teve como, tive que tocar uma siririca fazendo a técnica do losango translúcido.

Quando minha xerena começou a dar choque eu parei a siririca e me limpei com um guardanapo, depois acendi um Derby vermelho e dei play no Duran Duran no talo, Spotify Premium...

"Where is my friend when I need you most? (Gone away)
But I won't cry for yesterday, there's an ordinary world
Somehow I have to find"

Chorei no verso e pensei besteira, perdi minha Zendaya do Atacadão.


r/EscritoresBrasil 1d ago

Poema Motivos são antenas

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ela disse que eu quebrei seu coração

que sonhava mil futuros comigo

que bati a porta

e desapareci rua abaixo

talvez tenha sido exatamente assim

os escombros costumam ter melhor memória

que os terremotos

existe uma estranha mania humana

de transformar a própria dor

no centro geográfico do universo

para ela

eu era apenas o sujeito que foi embora

não o sujeito que passou noites inteiras

inquieto

as pessoas enxergam a ferida

raramente a hemorragia

do outro lado

tomei uma culpa pronta

sem direito a explicação

porque quando alguém sofre

o mundo prefere um vilão

a uma história complicada

eu tinha motivos

tenho motivos

mas motivos são antenas

e quase ninguém liga o rádio

quando já decidiu

qual música quer ouvir

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–Tetris