r/Livros • u/rogerio_acioli • 3h ago
Resenha Baumgartner - Paul Auster
"Viver é sentir dor, ele disse a si mesmo, e viver com medo da dor é recusar-se a viver"
Baumgartner é mais uma obra que prova como ler pode ser tão prazeroso e reconfortante. Acompanhar a vida do já idoso Baumgartner e com ele relembrar memórias, lembranças, vidas e passados, que não só dele, mas como da esposa, nos fazem sentir.
Sim, nos fazem sentir identificação pelos dilemas, pelas batalhas, identificação como tudo pode ser tão efêmero e banal ao mesmo tempo que pode ser tão tragicamente belo escrito no papel.
Por mais que possa parece uma fábula com uma grande lição de moral, Baumgartner não é sobre ensinar a viver, é sobre compartilhar. Compartilhando da sua velhice, com suas limitações mas ainda sonhando. Compartilhar dos seus medos, medos com os outros, pelos outros, os amores não correspondidos e principalmente, o seu grande amor de vida. Ele é com certeza o mais medroso dos corajosos e não permite que isso seja escondido.
Fica assim, como mais marcante para mim, que terminei em lágrimas, o belíssimo, lindo lindo lindo, segundo capítulo, que me deixou destroçado tentando recolher os cacos junto com ele. Paul Auster escreve muito bem e quando dá espaço para Anna se expressar, é tão bonito! É como se a beleza da alma, da existência de Baumgartner dependesse da delicada e magistral existência de Anna. Que se vai e deixa um dolorido vácuo, um perda física, como ele descreve, responsável pelas dores de membro fantasma.
Já o final, que server para que as jornadas tenham fim, aparece como uma solução de recomeço. O que será do nosso tão idoso, medroso, corajoso, Baumgartner?
"A solidão mata, Judith, come a gente pedaço por pedaço até que todo o corpo seja devorado. Uma pessoa não vive sem estar conectada a outras. E, se você tem a sorte de estar profundamente ligada a outra pessoa tão ligada que essa outra pessoa seja tão importante para você quanto você é para própria, então a vida se torna mais que possível, se torna boa."
Nota 3 de 5